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Sobre a escolha de Guimarães para Capital Europeia da Cultura em 2012, eu não poderia estar mais de acordo. Se há uma cidade que merece todo o nosso reconhecimento pelo investimento inteligente que fez na reabilitação é, sem sombra de dúvida, Guimarães. Quando ainda ninguém neste país falava em reabilitar centros históricos, já esta cidade havia iniciado uma das mais bem conseguidas operações de recuperação urbana. Pressentiram que o seu trunfo estaria ali mesmo, no casco velho e na qualidade de vida das pessoas, e trataram de polir esta jóia, trabalho que será sempre uma missão para gerações. A perseverança e a inteligência merecem o nosso respeito e o devido prémio. A Capital Europeia da Cultura está em boas mãos e tenho a certeza de que vai ser um sucesso. Carlos Encarnação devia era estar calado e fazer pela vida. Coimbra adormeceu ao som do Fado, julgava-se eterna enquanto se espreitava no Mondego. Na verdade, a Lusa Atenas tem sido mal, muito mal, governada. Acordou tarde e agora berra, chora, esperneia, mas o tempo do «A Coimbra nunca se diz não» já lá vai. Meus senhores, pensem numa cidade e façam-na e deixem as criancices a quem de direito. Eu não sei o que dizer de uma autarquia que tudo fez para perder os Encontros de Fotografia, que foram, durante muitos anos, o único momento cultural de dimensão verdadeiramente nacional que Coimbra tinha para oferecer. A única coisa que me ocorre é um «Vão trabalhar malandros!»
(PS: Ao contrário do que possa transparecer em cima, sinto-me muito mais ligado a Coimbra do que a Guimarães. Sempre que vou a Coimbra sinto-me como se voltasse a minha casa. Mas não costumo ignorar o óbvio: honra a Guimarães!)