Dolo Eventual

David Afonso
[Porto]
Pedro Santos Cardoso
[Aveiro/Viseu]
José Raposo
[Lisboa]
Graça Bandola Cardoso
[Aveiro]


Se a realização de uma tempestade for por nós representada como consequência possí­vel dos nossos textos,
conformar-nos-emos com aquela realização.


odoloeventual@gmail.com


Para uma leitura facilitada, consulte o blogue Grandes Dramas Judiciários

Visite o nosso blogue metafísico: Sísifo e o trabalho sem esperança

O Dolo Eventual convida todos os seus leitores ao envio de fotografias de rotundas de todos os pontos do país, com referência, se possível, à sua localização (freguesia, concelho, distrito), autoria da foto e quaisquer dados adicionais para rotundas@gmail.com


Para uma leitura facilitada, consulte o blogue As Mais Belas Rotundas de Portugal


Powered by Blogger


Acompanhe diariamente o Dolo Eventual

terça-feira, novembro 15, 2005

A Morte Burocrática Do Jornalismo*

Ano de 2005. O Presidente da Câmara Municipal do Porto, Dr. RR, num ímpeto democrático-burocrático sem par na história, resolve sujeitar os jornalistas ao mesmo tratamento que qualquer cidadão tem quando cruza as majestosas portas dos Paços do Concelho. Acabaram-se os privilégios! Agora é preencher o requerimento em impresso adequado, s.f.f.

«Ai é para entregar uma entrevistinha? É lá em baixo, vira a direita, vá sempre em frente e...»
«Não é aqui, é na porta ao lado.»
«Quem lhe disse isso? É lá em cima...»
«Sim é cá em cima mas tem de comprar o impresso para o requerimento na Tesouraria...»
«Oh... mas não entregou em duplicado! Ah! E não se esqueça de uma cópia em papel vegetal por causa da transparência jornalistica. Que quer? São ordens lá de cima...»

6 meses depois:
«O seu processo? Tem aí o recibo? Não? Então volte amanhã...»

6 meses e 1 dia depois:
«Deixe ver o recibo... Tá bem. Mas estes processos só são tratados às segundas, quartas e sextas...»

6 meses e 2 dias depois:
«Bem, o seu processo está a andar. Já está no gabinete da doutora.»
«Não se queixe há quem esteja bem pior. Olhe ontem veio um senhor, coitado, daquele jornal, o... JN, já vai para quase um ano e nada! Já não o posso ver mais por aí, até mete dó...»
«Mas olhe passe por cá para a semana que eu vou dar uma palavrinha...»

6 meses e 1 semana depois:
«Já está. Mas agora teve de ir lá acima, ao gabinete do presidente para ser rubricado e carimbado... De hoje a oito já está!»

6 meses e 2 semanas depois:
«Desculpe mas vai ser preciso fazer um aditamento à entrevista. Há aqui uma coisinha... O chato é que vai ter de entregar o processo todo de novo lá em baixo e...»

10 meses depois:
«Este processo... não, não estou a ver. Espere aí: Está? Manel? Sabes de alguma coisa do processo nºA43567? Quê! Outra vez? (...) Olhe, perderam o seu processo! Não terá lá por casa uma cópia?»
«Quer falar com a doutora? Não está. Está em reunião. Volte amanhã»

10 meses e um dia depois:
«Mas diga lá então: o que quer?»
Triiimm
«Desculpe, é só um momento»
«Sim, tou? TVI? Mas quantas vezes é preciso dizer que o Dr. RR só dá entrevistas para as páginas de Teletexto da RTP?!»
(...)
«Desculpe-me, dizia?...»
--------------------
Entretanto, a resistência socialista exilada em Bruxelas reclama a liderança da oposição. Mas os maquis comunistas não estão pelos ajustes, afinal eles é que dão o corpo ao manifesto no terreno. A rádio Invicta Livre vai debitando os discursos fantasmagóricos d'Assis sobre os telhados dos escombros da outrora chamada Baixa...
[*publicado n'A Baixa do Porto]

Comments on "A Morte Burocrática Do Jornalismo*"

 

post a comment