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terça-feira, novembro 21, 2006

Presos ao crédito

Aquilo que permitiu o desenvolvimento do sistema financeiro deste país foi a baixa de juros ao longo dos últimos anos e não o contrário. Foram as famílias que quiseram adquirir bens que anteriormente lhes estavam vedados e que puxaram o sistema financeiro e o obrigaram a adaptar-se a essa nova realidade e não ao contrário.
Dentro desses bens aquele que neste momento ocupa a parte de leão do endividamento das famílias é o crédito à habitação. Devido a circunstancias culturais muito próprias dos portugueses em relação à propriedade, e devido à estagnação do mercado de arrendamento, corremos a comprar casas e mais casas ao ponto de sermos um país de proprietários fortemente endividados.
Em Portugal temos um sentimento muito próprio em relação à propriedade. Ao contrário de outros que não dão tanto valor aos bens materiais, até porque os podem adquirir com maior facilidade, aqui derivamos de um passado relativamente pobre e sem grandes luxos e confortos e por isso agarramo-nos fortemente às poucas coisas que conseguimos comprar e principalmente mostrar. Os carros, os vídeos, as motas, os telemóveis e as casas…
Ontem dizia o vice do Millenium que a última geração de portugueses investiu em casa porque é um bem duradouro que os pode ajudar a melhorar as suas reformas, o que as gerações anteriores não puderam fazer. Mas não consigo perceber de que forma isso pode acontecer.
Comprar casa até pode ficar mais barato do que arrendar. No meu caso isso aconteceu. Acabei por poupar alguns euros em relação à renda que pagava tendo adquirido casa. Mas eu não sou a regra e a generalidade dos portugueses hipoteca grande parte do rendimento familiar no pagamento dos valores mensais ao banco. Os portugueses podem até ter uma ideia de investimento quando compram casa, mas a maioria é empurrada para a compra de casa pelas poucas opções que existem no arrendamento e a gritante falta de condições das casas arrendadas. Ou seja, não é uma escolha, mas uma obrigação.
Uma casa da qual se é proprietário implica a responsabilidade pela sua própria manutenção, e se os anos forem passando sem uns toques aqui e ali e subitamente a nossa casa parece saída de um filme da grande depressão americana. Já para não falar dos impostos associados à compra.
Peço desculpa mas para já não estou a ver a diferença entre pagar 30 ou 40 anos uma casa a um banco ou a um senhorio, nem como é que um português pode financiar a sua reforma com a compra de uma habitação.
O problema que o vice-presidente do Millenium não quis dizer aos portugueses é que as casas tal como todos os produtos comercializados, têm tendência a aumentar a sua qualidade e que os portugueses apesar de não terem essa possibilidade já estão a investir em casas com elevadíssimos níveis de conforto, muito além do essencial e a deixar de fora todo um vasto parque habitacional que não possui essas características e cujos proprietários estão presos a elas sem as conseguirem vender.
A maior inutilidade das casas em relação a assegurar o nosso futuro é simples. Só vendendo é que ela vale alguma coisa em relação ao valor dispendido inicialmente e o que se deve ao banco, e estas casas estão praticamente devolutas e a começarem a atingir preços irrisórios enquanto os bancos continuam a alimentar a construção de condomínios fechados.
Enquanto isso os portugueses presos ao crédito continuam à espera que o mercado fortemente inflacionado em que compraram casa acabe por regressar um dia.

Comments on "Presos ao crédito"

 

Blogger José Raposo said ... (novembro 22, 2006 9:39 da tarde) : 

Em nome aqui da gerência, agradecemos a nomeação e esperamos continuar a corresponder às expectativas.

 

Anonymous Anónimo said ... (novembro 23, 2006 9:54 da manhã) : 

A maioria tem casa propria (alugada a banca), hipoteca até à reforma, a construção nova practicamente vai acabar , como vai a banca sobreviver? de troca de hipotecas entre proprietarios?

E como vão os proprietarios assegurar a manutenção desses grandes blocos de cimento chapa 5, que alugaram a um senhorio que o maximo que faz é conceder-lhe outro emprestimo para a manutenção?

bem daqui a 20 anos 500 euros, talvez seja 1/3 do salario de um portugues medio, mas a Banca vai dar o estouro monumental lá para 2020/2030.

http://bcn.vdevivienda.net/material-grafico/

 

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