A proposta para a Educação de António Barreto
António Barreto apresentou no Público deste Domingo uma proposta para a educação muito interessante e que merecia ser apreciada pelo poder político e pelos actores do sector. A proposta é simples: «Cada disciplina do básico e secundário deveria ser “monitorizada” por uma instituição universitária, devidamente contratada pelo ministério para esse efeito, com um termo de responsabilidade de cinco a dez anos (renováveis), a fim de poder assegurar estabilidade e capacidade para reformar tranquilamente e corrigir erros. (...) Uma faculdade de ciências, por exemplo, teria a responsabilidade de acompanhar a disciplina de Física ao longo dos 12 anos de escolaridade. Um instituto ocupar-se-ia de todo o ensino da Matemática do 1º ao 12º ano». Vantagens: «Estaria garantida uma relativa estabilidade de conteúdos e de métodos. Ficaria salvaguardada a independência de uma entidade exterior, não envolvida nas lutas profissionais e ministeriais. Finalmente, conhecer-se-ia o responsável pelo andamento da disciplina, assim como pelos programas e pelos manuais, a quem o público, as autoridades e os especialistas poderiam pedir contas». Acresento ainda outras vantagens: despolitização (em termos científicos e pedagógicos, claro) e autonomização da educação; maior ligação e coordenação entre os diferentes níveis de educação pré-universitária; adequação do ensino secundário ao perfil exigido no ensino superior e ajustamento deste último às características da procura; constituição de uma nova fonte de financiamento do ensino superior, contribuindo desse modo para a consolidação da sua autonomia. Esta maior cumplicidade entre as universidades e o ensino não-superior parece ter um potencial enorme. Recordo um exemplo já posto em prática: a Escola Secundária João Gonçalves Zarco de Matosinhos estabeleceu uma pareceria com uma universidade espanhola de modo a criar um programa específico para alunos que pretendam estudar medicina em Espanha. Porque não desenvolver este tipo de parcerias entre universidades e escolas secundárias nacionais? Em particular nas áreas em que estamos mais carenciados como na investigação científica e tecnológica? Às vezes os estabelecimentos até estão frente a frente, bastando atravessar a rua... Este modelo de criação, gestão e fiscalização dos programas curriculares, articulado com a formação de docentes e acompanhamento da produção de material didáctico e enriquecido ainda com parecerias específicas, poderia ser o nosso modelo original. Não conheço nenhuma outra abordagem à educação semelhante a esta. Em vez de importarmos modelos ou de reciclarmos modelos dos anos 60/70 porque não criar o modelo português de ensino? Etiquetas: Educação |
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