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quarta-feira, abril 11, 2007

À vontade do freguês

Comments on "À vontade do freguês"

 

Blogger cuotidiano said ... (abril 12, 2007 1:42 da manhã) : 

Dando de barato a questão da licenciatura, fica o facto indesmentível de, durante anos a fio e até ter sido descoberto, usou INDEVIDAMENTE, o título de engenheiro, desde em documentos oficiais e publicados no DR até ao simples tratamento pessoal. Essa história de ser um "tratamento social" é inacreditável. Se alguém me tratasse, por exemplo, por comendador ou general ou outro título qualquer, eu (como qualquer de nós) desmentiria na hora, não alimentaria uma mentira - é que quem cala consente, não é?

Já agora, é curioso como alguém que se quer valorizar sai de uma instituição reconhecida pela Ordem dos Engenheiros para acabar o curso numa que não é! Ou seja, acabando ali o curso nunca poderia inscrever-se na Ordem e, consequentemente, nunca poderia ser engenheiro, o tal título que foi usando "numa social"...

 

Blogger David Afonso said ... (abril 12, 2007 2:05 da manhã) : 

Cuotidiano,
para todos os efeitos Sócrates é engenheiro. Engenheiro Técnico, mas engenheiro. E a Ordem não tem nada a ver com estes técnicos, mas sim a ANET. Um eng. téc. pode perfeitamente exercer sem estar inscrito na Ordem, basta estar inscrito na ANET.

 

Blogger cuotidiano said ... (abril 12, 2007 9:03 da manhã) : 

Não, não é engenheiro coisíssima nenhuma. Os engenheiros-técnicos têm 3 anos de formação e um bacharelato (como o próprio Sócrates o disse) e um engenheiro tem um curso superior de 5 anos - uma licenciatura - e depois faz a sua admissão à Ordem, com tese, exame, o que for, dependendo das regras em vigor. Ora são duas situações bem distintas, não lhe parece?

Com certeza que pode exercer, mas com limitações - por exemplo, dimensão dos edifícios, altura de barragens, etc. Não deixa é de ser engenheiro-técnico, não sendo engenheiro. (Aliás, recordo que a definição "engenheiro-técnico" surgiu no pós- 25 de Abril, substituindo o antigo "agente-técnico", o que, como se vê, só veio lançar a confusão).

Relembro que o próprio Sócrates retirou da sua biografia oficial "engenheiro" e colocou "licenciado em engenharia civil" (*), consequência de ter feito o curso na UnI e não estar inscrito na Ordem dos Engenheiros (nem podendo estar, já que esse curso não era reconhecido)


Ou seja e em resumo, está a parecer-me que o meu caro amigo está a ser "mais papista que o Papa" - é que já nem José Sócrates diz que é engenheiro...


Notas finais:
1) Para exercer o cargo de primeiro-ministro é obviamente irrelevante a "profissão de origem";
2)José Sócrates tem sido dos melhores - se não o melhor - primeiro-ministro em Portugal;
3) Por tudo isso, era escusado ter usado um título a que não tem direito, o que só o veio enfraquecer.

Um abraço a todos

O gajo do Cuotidiano (por acaso Engº Civil pelo IST, ex-docente no mesmo)

___________
(*) “http://www.portugal.gov.pt/Portal/PT/Primeiro_Ministro/Biografia/”
“Primeiro-Ministro - breve nota biográfica
José Sócrates Carvalho Pinto de Sousa
Nascido em Vilar de Maçada, concelho de Alijó, distrito de Vila Real, em 6 de Setembro de 1957
Licenciado em engenharia civil"

 

Blogger José Raposo said ... (abril 12, 2007 2:39 da tarde) : 

Caro cuotidiano, embora não desconheça a minha opinião sobre este assunto, aquilo que eu pretendia abordar aqui era a forma e não a substância da questão.
Acho que recusando a realidade do país dos doutores, estamos a entrar aos poucos nessa parolice, quando imputamos a um sujeito, que por acaso os portugueses elegeram primeiro-ministro, responsabilidades especiais em relação aos restantes só porque os restantes não querem saber da vida pública para nada. Além de que são argumentos flexíveis. Quando dá jeito ele pode ser um português comum, quando dá jeito em sentido contrário, tem de ter um carácter especial, diferente da generalidade dos portugueses.
Aquilo que para mim é importante, é se houve algum favorecimento na obtenção de uma licenciatura, se de alguma forma o caminho lhe foi facilitado de tal forma que isso possa corresponder a uma ilegalidade e isso claramente não ficou provado por ninguém. Até porque estamos a falar de 5 cadeiras e não de um curso.
Se alguém o tratasse por general seria natural que o cuotidiano rejeitasse essa categoria porque não fez nada para obter tal título. No entanto se o tratarem por doutor, que não é, isso seria equivalente ao título que possui de engenheiro. Assim acontece com a esmagadora maioria dos licenciados deste país ainda que na realidade isso possa ser incorrecto e não advém particular mal ao mundo por causa disso.
Sócrates era à altura Engenheiro Técnico e não foi Sócrates que inventou essa designação e não é sequer razoável que se peça a alguém que passe a vida a corrigir outros acrescentando o técnico, quando na realidade nem sequer pretende construir pontes ou edifícios altos. Aliás o registo em que se baseiam todas as informações que refere da apresentação como engenheiro antes da conclusão (julgo que aqui estamos de acordo que existe uma conclusão) da licenciatura, são baseados em dois documentos assinados pelo próprio, no mesmo dia, tendo um deles sido corrigido pelo próprio para passar a indicar a informação correcta. Bacharel em engenharia civil, profissão: engenheiro técnico.
Tenha-o feito de bom grado ou a contra gosto, a verdade é que a informação incorrecta fornecida ao parlamento foi corrigida pelo próprio, no mesmo dia em que forneceu a primeira declaração incorrecta.
Quando à alteração do instituto para a UNI julgo que a explicação foi clara de que o curso do ISEL (creio que era este) não conferia grau de licenciatura mas sim equivalência a esta. Parece-me linear. Além de que Sócrates não pretenderia desde o inicio inscrever-se na ordem.
Quanto à matrícula e o certificado de habilitações posso garantir-lhe que é prática comum a realização em universidades privadas de matrículas condicionais em que o aluno paga logo tudo o que tem a pagar e dessa forma eles acreditam piamente na palavra do aluno. Eu próprio em 1993 tive a minha matrícula no curso de direito da Universidade Autónoma de Lisboa condicionada à apresentação de documentos que não tinha entregue durante mais de um mês. Bem sei que não é um ano, mas a realidade é que isto acontece frequentemente. E eu vinha do secundário sem qualquer razão para acreditarem em mim, ao contrário do Sócrates que já tinha outros documentos em sua posse que atestavam o Bacharelato.
Estamos, por alguma razão que eu não consigo entender a gastar tempo sobre uma questão de somenos importância que julgo ficou suficientemente (talvez não totalmente, culpa dos jornalistas) esclarecida ontem à noite. Tivessem muitos portugueses que escreveram resmas de folhas sobre este assunto, 7 anos e meio de ensino superior, quando na prática já nem precisavam deles pois Sócrates até já estava bem posicionado nos corredores da política.

 

Blogger David Afonso said ... (abril 12, 2007 3:30 da tarde) : 

Caro Cuotidiano,
1. O Sócrates não precisa que eu o defenda, nem eu estaria para isso;
2. Parece-me caricato que a coisa tenha escorregado para a questão do uso do título académico no trato social. Já estou enjoado de srs. Drs, srs Engs, srs arqs. Dantes era Cavaleiro da ordem de Cristo, Visconde e Barão. Pelamo-nos por títulos, é o que é (e os engenheiros, vai-me desculpar são do piorio no que diz a isto, creio até que alguns devem levar com "Eng." na pia baptismal).
3. Sou licenciado em Filosofia com uma especialização em Estudos Locais e Regionais. Colaboro num Gabinete de arquitectura e todos os dias convivo com en. técnicos e engenheiros civis. Curiosamente tratam-se muturamente por "sr. engenheiro". Não parece que se importem muito com a diferença de categorias, até porque o tipo de trabalho (e de contrato) que fazem é diferente.
4. O problema do Sócrates, para além da questão sociológica do uso e porte de título académico em público, é um problema pessoal que poderá ter implicações políticas. Vamos a ver. Mas o que é realmente importante é fazer uma avaliação séria do trabalho que se faz nas nossas universidades privadas e públicas. Há um certo regabofe que convém corrigir para bem do país. Quantos Sócrates não existirão?

 

Blogger Claudia Gonçalves said ... (abril 13, 2007 5:34 da tarde) : 

Concordo com os meus colegas dolosos. Tb eu estou farta de titulos e tb eu acho que casos como o de socrates por aí andarão.
Este é um país de coscuvilhices e embora eu não queira desvirtuar o jornalismo, o certo é que muito jornalismo se tem feito por coscuvilhice, procurar grandes furos jornalisticos e agulhas em palheiros. Claro está que quando isto atinge as televisões, pronto, é noticia nacional de destaque.a intenção de a qualquer custo desacreditar o primeiro ministro é cristalina. A oposição coitada tem sido tão pequena como a sua principal figura.Às vezes imagino Marquitos Mendes na primária, com uma bata aos quadrados e muitas sardas, correndo atrás do pequeno Sócrates no recreio dizendo " um dia vou ser mmuito mais grande que tu, toma toma toma".
No fundo o que todos nós queremos é que o senhor faça bem o seu trabalho, tome decisões correctas para o país, reformas úteis e principalmente acabe com a letargia da pesada máquina da função pública (a meu ver uma verdadeira pedra no sapato deste portugal. Ora agora digam-me se sendo Eng, Bach, Dr, Doutor, Jubilado, general ou Coronel, é condição sine qua non de competência no Governo?!

 

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