Banda sonora da CP
Esta semana, aproveitando o bom tempo, escolhi de novo a CP para me deslocar para o escritório de estágio. Durante cerca de ano e meio foi o comboio o meu condutor e companheiro de viagem. O eleito é de novo o suburbano que pára em média, de 5 em 5 minutos. Até aqui tudo bem porque é um pequeno preço a pagar pelo ainda mais pequeno custo da viagem, € 2,00 actualmente para o trajecto Aveiro/Porto ou, cerca de € 1,00 se tiver o passe mensal. Claro que, por este valor, os passageiros da CP não têm direito a casa de banho neste modesto comboio. Ainda assim, não era por este motivo que eu me recordava de ter abandonado tão fiel amigo. Também não terá sido pelas muitas conversas disléxicas ou entediantes que os ouvidos não podiam deixar de ouvir logo de madrugada ou pelas centenas de telemóveis a gritar. Se não era por tudo isto ou por nada disto, vinha-me constantemente à cabeça a frase “ é fácil, é barato e dá milhões” . Ora de facto este meio é fácil de utilizar e barato mas, aqui é que a memória se avivou, dá dores de cabeça e não milhões. Aquela banda sonora do inferno, a musica instrumental com ritmos alucinantes e desconcertados que sai dos poros daquele comboio e entrou nos meus. Estou a falar de 4 ou 5 músicas, não mais, que rodam incansavelmente durante uma hora dentro daquele espaço e já é assim pelo menos há dois anos e meio. Aquilo assemelha-se em tudo a uma lavagem cerebral porque me recordo de ter sempre aquele autêntico chinfrim na minha cabeça o dia todo e até a zumbir durante a noite. Que mistério macabro impede quem quer que seja de mudar esta “cassete”. Nem o PCP é tão repetitivo senhores. Bom, o certo é que só de estar agora a pensar e a escrever isto, já tenho involuntariamente aquele zumbido. Não me curei durante a ausência do comboio, receio necessitar de tratamento especializado. Etiquetas: Banalidades, Comboios |
Publicado por Claudia Gonçalves às 13:41
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