O Dolo Eventual convida todos os seus leitores ao envio de fotografias de rotundas de todos os pontos do país, com referência, se possível, à sua localização (freguesia, concelho, distrito), autoria da foto e quaisquer dados adicionais para rotundas@gmail.com
De vez em quando o Prós e Contras faz bem. Ainda que não faça bem aos espectadores acaba por fazer bem a alguns intervenientes. Tomar um Prós e Contras depois do jantar pode ajudar a ganhar terreno político que por razões várias se tinha perdido ou nunca ganho. Ontem os principais beneficiados foram Paulo Portas e Rui Pereira. No caso do primeiro, a RTP fez o especial favor de dar ao líder do CDS-PP uma reentré decente depois da reentré do Youtube ter falhado. Colocando-o no papel de grande arauto português contra a insegurança e criminalidade, a RTP confirmou a necessidade de Paulo Portas à frente dos destinos do CDS, uma vez que até agora ninguém tinha percebido muito bem porque razão tinha voltado. Rui Pereira teve a rara oportunidade de deixar bem claro para quantos quisessem ouvir que a sua escolha para o MAI não foi uma solução de recurso perante a saída de António Costa. Antes pelo contrário. Consegue ontem consolidar a ideia de que conhece todos os problemas e todos os dossiers e provavelmente não voltará a ser considerado uma figura de segunda linha deste governo. Quanto ao assunto em análise, as soluções de sempre para o problema de sempre. Total inactividade e inoperância das forças de segurança enquanto se discute, discute e discute. De frisar que a recorrente expressão de que o país está a sofrer de um tipo novo de criminalidade começa a cheirar a bafio de tantas vezes ter sido repetida nos últimos dez anos. Todos falam e todos têm opinião, mas no final todos perdem. Só a TVI ganha...
A pressão sobre a comunicação social por parte dos políticos, pode resultar em graves constrangimentos na independência que se pretende que tenham os jornalistas, mas também constrangimentos vários de programação que naturalmente ninguém deseja. Mas isso é um valor em si mesmo, ou porventura é apenas um valor mensurável todos os dias através das múltiplas e variadas acusações dirigidas a um governo socialista, de manipulação da comunicação social pública? É um valor em si mesmo, defender tout court a liberdade de imprensa e a autonomia das direcções das televisões e rádios publicas, ou isso apenas é relevante perante a existência de um poder socialista? Este país não é uma monarquia, independentemente da forma como sucessivamente os presidentes da república interpretam os seus poderes. Aníbal Cavaco Silva é um cidadão como qualquer outro, que se submete à eleição por maiorias qualificadas, tal como qualquer outro cargo político desta República. Não há, apesar de ao cargo não concorrerem (hipoteticamente) partidos políticos, diferença nenhuma entre o valor das maiorias que elegem o Parlamento e o Presidente. O Presidente não pode, ou talvez não deva, usufruir da possibilidade que o seu cargo lhe confere, para condicionar de forma evidente a administração da RTP na autonomia com que gere a sua própria programação. Aquilo que é do interesse público, não é os portugueses verem o Presidente condecorar os amigos da Comissão de Honra da sua candidatura, que apenas por vergonha não condecorou no ano passado. Aquilo que interessa aos portugueses não são as condecorações na festa a que o povo português não tem acesso. O que interessa ao povo português é a festa na rua à qual com grande dificuldade se consegue assomar entre as tribunas dos importantes. Para essa festa a RTP tem uma especial responsabilidade de estar presente. Infelizmente este assunto não levantou qualquer celeuma na blogoesfera e tão pouco na tal comunicação social que se diverte a fazer a vida negra ao governo. Cavaco condiciona a RTP, sem sequer dar cavaco à entidade que legalmente a isso está obrigada. A administração e a direcção de informação da RTP meteram o rabinho entre as pernas e de imediato se comprometeram a corrigir esse crime de lesa-majestade. Está aberta a enorme caixa de Pandora que permitirá sempre que o Presidente, ou o Primeiro-ministro, ou Presidente do Supremo, ou outro qualquer, forem interrompidos por um compromisso televisivo, exigirem ver as suas declarações originais e completas no respectivo horário em que foram proferidas. Lançam-se apostas sobre quem será o pior dos manipuladores se porventura sugerir a mais leve critica à RTP...
... a SIC e a TVI transmitiram a homilia exactamente à mesma hora. Era necessário que a RTP1 também transmitisse a homilia exactamente à mesma hora para assegurar uma alternativa de serviço público aos operadores privados?
- Era. Está provado que os logótipos dos privados são muito coloridos e podem inclusivamente fazer mal à vista.
- Sempre podes escolher entre a Unidade Especial, o filme da sessão da tarde e O Preço Certo. Como vês, não tens de levar com a mesma programação que te oferecem os privados.
O que é que a RTP tem que o Dolo Eventual não tem?
É bom que tenhamos um canal público de televisão, porque é bom é que haja garantia de um serviço verdadeiramente alternativo à programação dos canais privados. Confesso-me esperançoso de que o Estado repare também no Dolo Eventual, subsidiando-o. Para que tal aconteça, basta que o Estado utilize os mesmos critérios que utiliza para com a RTP1. Porque, a final de contas, o Dolo Eventual, tal como a RTP1, vem-se destacando pela apresentação de um serviço verdadeiramente alternativo aos restantes blogues portugueses privados. Não obstante as tabelas rudimentares que ainda apresenta, nas quais se notam os pequenos sublinhados a verde e vermelho do Word. Pormenores. Adiante.
Não restam dúvidas: o Dolo Eventual presta mesmo autêntico serviço público e merece tanto quanto a RTP injecção de capital. Estado, estamos aqui. Não obstante as tabelas rudimentares que ainda apresenta, nas quais se notam os pequenos sublinhados a verde e vermelho do Word. Pormenores. Venha o dinheirinho.
A alternativa que não é alternativa mas que custa dinheiro por se dizer alternativa
Há pouco, só restava a RTP2 a quem não tivesse televisão por cabo. RTP1, SIC e TVI coligaram-se em simultâneo na transmissão da missa comemorativa das visões de Fátima. Uma verdadeira máfia. RTP1, alternativa a quê?